sexta-feira, 26 de junho de 2009

Lygia Fagundes Telles



Quarta filha do casal Durval de Azevedo Fagundes e Maria do Rosário Silva Jardim de Moura, nasce na capital paulista, em 19 de abril de 1923, Lygia de Azevedo Fagundes, na rua Barão de Tatuí. Seu pai, advogado, exerceu os cargos de delegado e promotor público em diversas cidades do interior paulista (Sertãozinho, Apiaí, Descalvado, Areias e Itatinga), razão porque a escritora passa seus primeiros anos da infância mudando-se constantemente. Acostuma-se a ouvir histórias contadas pelas pajens e por outras crianças. Em pouco tempo, começa a criar seus próprios contos e, em 1931, já alfabetizada, escreve nas últimas páginas de seus cadernos escolares as histórias que irá contar nas rodas domésticas. Como ocorreu com todos nós, as primeiras narrativas que ouviu falavam de temas aterrorizantes, com mulas-sem-cabeça, lobisomens e tempestades.

Seu pai gostava de freqüentar casas de jogos, levando Lygia consigo "para dar sorte". Diz a escritora: "Na roleta, gostava de jogar no verde. Eu, que jogo na palavra, sempre preferi o verde, ele está em toda a minha ficção. É a cor da esperança, que aprendi com meu pai."

Em 1936 seus pais se separam, mas não se desquitam.

Porão e sobrado é o primeiro livro de contos publicado pela autora, em 138, com a edição paga por seu pai. Assina apenas como Lygia Fagundes.

No ano seguinte termina o curso fundamental no Instituto de Educação Caetano de Campos, na capital paulista. Ingressa, em 1940, na Escola Superior de Educação Física, naquela cidade. Ao mesmo tempo, freqüenta o curso pré-jurídico, preparatório para a Faculdade de Direito do Largo do São Francisco.

Inicia o curso de Direito em 1941, freqüentando as rodas literárias que se reuniam em restaurantes, cafés e livrarias próximas à faculdade. Ali conhece Mário e Oswald de Andrade, Paulo Emílio Sales Gomes, entre outros, e integra a Academia de Letras da Faculdade e colabora com os jornais Arcádia e A Balança. Para se sustentar, trabalha como assistente do Departamento Agrícola do Estado de São Paulo. Nesse ano conclui o curso de Educação Física.

Praia viva, sua segunda coletânea de contos, é editada em 1944 pela Martins, de São Paulo. O ano de 1945 marca o ano de falecimento de seu pai. Atenta aos acontecimentos políticos, Lygia participa, com colegas da Faculdade, de uma passeata contra o Estado Novo.

Terminado o curso de Direito, em 1946, só três anos depois a escritora publica, pela editora Mérito, seu terceiro livro de contos, O cacto vermelho. O volume recebe o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras.

Casa-se com o jurista Goffredo da Silva Telles Jr., seu professor na Faculdade de Direito que, na ocasião,1950, era deputado federal. Muda-se, em virtude desse fato, para o Rio de Janeiro, onde funcionava a Câmara Federal.

Com seu retorno à capital paulista, em 1952, começa a escrever seu primeiro romance, Ciranda de pedra. Na fazenda Santo Antônio, em Araras - SP, de propriedade da avó de seu marido, para onde viaja constantemente, escreve várias partes desse romance. Essa fazenda ficou famosa na década de 20, pois lá reuniam-se os escritores e artistas que participaram do movimento modernista, tais como Mário e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Mafaldi e Heitor Villa-Lobos.

Maria do Rosário, sua mãe, falece em 1953 e, no ano seguinte, nasce seu único filho, Goffredo da Silva Telles Neto. As Edições O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, lançam Ciranda de pedra.

Seu livro de contos, Histórias do desencontro, é publicado pela editora José Olympio, do Rio de Janeiro, e é premiado pelo Instituto Nacional do Livro, em 1958.

Em 1960 separa-se de seu marido Goffredo e, no ano seguinte, começa a trabalhar como procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo.

Dois anos depois lança, pela editora Martins, de São Paulo, seu segundo romance, Verão no aquário. Passa a viver com Paulo Emílio Salles Gomes e começa a escrever o romance As meninas, inspirado no momento político por que passa o país.

Em 1964 e 1965 são publicados seus livros de contos Histórias escolhidas e O jardim selvagem, respectivamente, pela editora Martins.

A convite do cineasta Paulo César Sarraceni e em parceria com Paulo Emílio Salles Gomes, em 1967, faz a adaptação para o cinema do romance D. Casmurro, de Machado de Assis. Esse trabalho foi publicado, em 1993, pela editora Siciliano, de São Paulo, sob o título de Capitu.

Seu livro de contos Antes do baile, publicado pela Bloch, do Rio de Janeiro, em 1970, recebe o Grande Prêmio Internacional Feminino para Estrangeiros, na França.

O lançamento, em 1973, pela José Olympio, de seu terceiro romance, As meninas, é um sucesso. A escritora arrebata todos os prêmios literários de importância no país: o Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras, o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro e o de "Ficção" da Associação Paulista de Críticos de Arte.

Seminário de ratos, contos, é publicado em 1977 pela José Olympio e recebe o prêmio da categoria Pen Club do Brasil. Nesse ano participa da coletânea Missa do Galo: variações sobre o mesmo tema, livro organizado por Osman Lins a partir do conto clássico de Machado de Assis. Integra o corpo de jurados do Concurso Unibanco de Literatura, ao lado dos escritores e críticos literários Otto Lara Resende, Ignácio de Loyola Brandão, João Antônio, Antônio Houaiss e Geraldo Galvão Ferraz.

Em setembro desse ano, falece Paulo Emílio Salles Gomes. A escritora assume, face ao ocorrido, a presidência da Cinemateca Brasileira, que Paulo Emílio ajudara a fundar.

Em 1978 a editora Cultura, de São Paulo, lança Filhos pródigos. Essa coletânea de contos seria republicada a partir de 1991 sob o título A estrutura da bolha de sabão. A TV Globo leva ao ar um Caso Especial baseado no conto "O jardim selvagem".

Sua editora no período de 1980 até 1997, a Nova Fronteira, do Rio de Janeiro publica A disciplina do amor. No ano seguinte lança Mistérios, uma coletânea de contos fantásticos. A TV Globo transmite a telenovela Ciranda de pedra, adaptada de seu romance.

Em 1982 é eleita para a cadeira 28 da Academia Paulista de Letras e, em 1985, por 32 votos a 7, é eleita, em 24 de outubro, para ocupar a cadeira 16 da Academia Brasileira de Letras, fundada por Gregório de Mattos, na vaga deixada por Pedro Calmon. Sua posse só ocorre em 12 de maio de 1987. Ainda em 1985 é agraciada com a medalha da Ordem do Rio Branco.

1989 é o ano de lançamento de seu romance As horas nuas. Recebe a Comenda Portuguesa Dom Infante Santo. Em 1990 seu filho, Goffredo Neto, realiza o documentário Narrarte, sobre a vida e a obra da mãe. Em 1991 aposenta-se como funcionária pública.

A Rede Globo de Televisão apresenta, em 1993, dentro da série Retratos de mulher, a adaptação da própria escritora do seu conto "O moço do saxofone", que faz parte do livro Antes do baile verde, num episódio denominado "Era uma vez Valdete".

Participa da Feira o Livro de Frankfurt, na Alemanha, em 1994, e lança, no ano seguinte, um novo livro de contos, A noite escura e mais eu, que ganhou os prêmios de Melhor livro de contos, concedido pela Biblioteca Nacional; Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro e Prêmio APLUB de Literatura.

Em 1996 estréia o filme As meninas, de Emiliano Ribeiro, baseado em romance homônimo de Lygia. Em 1997 participa da série O escritor por ele mesmo, do Instituto Moreira Salles. A editora Rocco adquire os direitos de publicação de toda a obra passada e futura da escritora.

Em 1998, a convite do governo francês, participa do Salão do Livro da França.

Seu livro Invenção e Memória foi agraciado com o Prêmio Jabuti, na categoria ficção, em 2001. Recebe, também, o "Golfinho de Ouro" e o Grande Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte.

Agraciada, em março de 2001, com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília (UnB).

Em 2005, recebe o Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa.


OBRAS DA AUTORA

Individuais


Contos:

Porão e sobrado, 1938
Praia viva, 1944
O cacto vermelho, 1949
Histórias do desencontro, 1958
Histórias escolhidas, 1964
O jardim selvagem, 1965
Antes do baile verde, 1970
Seminário dos ratos, 1977
Filhos pródigos, 1978 (reeditado como A estrutura da bolha de sabão, 1991)
A disciplina do amor, 1980
Mistérios, 1981
A noite escura e mais eu, 1995
Venha ver o por do sol
Oito contos de amor
Invenção e Memória, 2000 (Prêmio Jabuti)
Durante aquele estranho chá: perdidos e achados, 2002
Meus contos preferidos, 2004
Histórias de mistério, 2004
Meus contos esquecidos, 2005


Romances:

Ciranda de pedra, 1954
Verão no aquário, 1963
As meninas, 1973
As horas nuas, 1989


Antologias:

Seleta, 1971 (organização, estudos e notas de Nelly Novaes Coelho)

Lygia Fagundes Telles, 1980 (organização de Leonardo Monteiro)

Os melhores contos de Lygia F. Telles, 1984 (seleção de Eduardo Portella)

Venha ver o pôr-do-sol, 1988 (seleção dos editores - Ática)

A confissão de Leontina e fragmentos, 1996 (seleção de Maura Sardinha)

Oito contos de amor, 1997 (seleção de Pedro Paulo de Sena Madureira)

Pomba enamorada, 1999 (seleção de Léa Masima).


Participações em coletâneas:
Gaby, 1964 (novela - in Os sete pecados capitais - Civilização Brasileira)

Trilogia da confissão, 1968 (Verde lagarto amarelo, Apenas um saxofone e Helga - in Os 18 melhores contos do Brasil - Bloch Editores)

Missa do galo, 1977 (in Missa do galo: variações sobre o mesmo tema - Summus)

O muro, 1978 (in Lições de casa - exercícios de imaginação - Cultura)

As formigas, 1978 (in O conto da mulher brasileira - Vertente)

Pomba enamorada, 1979 (in O papel do amor - Cultura)

Negra jogada amarela, 1979 (conto infanto-juvenil - in Criança brinca, não brinca? - Cultura)

As cerejas, 1993 (in As cerejas - Atual)

A caçada, 1994 (in Contos brasileiros contemporâneos - Moderna)

A estrutura da bolha de sabão e As cerejas, s.d. (in O conto brasileiro contemporâneo - Cultrix)

Crônicas publicadas na imprensa:

Não vou ceder. Até quando?. O Estado de São Paulo - 06-01-92
Pindura com um anjo. Jornal da Tarde - 11-08-96


Para o cinema:

- Capitu (roteiro); parceria com Paulo Emílio Salles Gomes, 1993 (Siciliano).

- As meninas (adaptação), 1996


Para o teatro:

As meninas, 1988 e 1998


Para a televisão:

- O jardim selvagem, 1978 (Caso especial - TV Globo)
- Ciranda de pedra, 1981 (Novela - TV Globo)
- Era uma vez Valdete, 1993 (Retratos de mulher - TV Globo)


PRÊMIOS:

Prêmio do Instituto Nacional do Livro (1958)
Prêmio Guimarães Rosa (1972)
Prêmio Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras (1973)
Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (1980)
Prêmio Pedro Nava, de Melhor Livro do Ano (1989)
Melhor livro de contos, Biblioteca Nacional
Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro
Prêmio APLUB de Literatura
Prêmio Jabuti (Ficção) (2001)
Prêmio Camões (2005)


Dados obtidos em livros da escritora, outras publicações, na Internet e na revista "Cadernos de Literatura Brasileira - Instituto Moreira Salles.

Alguma Prosa

Resenha

O livro Alguma prosa: ensaios sobre a literatura brasileira contemporânea –organizado por Giovanna Dealtry, Masé Lemos e Stefania Chiarelli – é uma tentativa de decifrar a prosa brasileira contemporânea na sua aparente facilidade. É o estudo deste enigma, sem se deixar seduzir completamente pelo entretenimento e pelo mercado, numa postura comprometida com a seriedade de sua tarefa.

O livro reúne 16 ensaios sobre ficção, claramente escolhidos com o objetivo de olhar alguns dos vários aspectos da complexa pluralidade de questões postas pela nova literatura.

A linha de estudos que seguem para os textos vê na literatura um meio para a mediação no modo de ver o mundo e nele estar, sendo que todo crítico literário, ao se debruçar sobre seus objetos, "narra também experiências e percursos próprios", como afirma uma das organizadoras.

É isso que, provavelmente, orienta a escolha dos autores analisados, na maioria produzindo a partir da década de 90, tal como os próprios ensaístas reunidos no livro. Embora o conjunto adquira um toque de geração, não se trata de trabalho de crítica ligeira; os ensaios, embora diversos na profundidade argumentativa, bem como sua organização, provêm da universidade, lugar que ainda exige questionamento e reflexão, mesmo nestes tempos de pressa e dúvida.

Afastando-se o puro entretenimento, colocam-se questões caras à prosa, como a relação entre ficção e realidade, o lugar do sujeito, o compromisso do autor ou o papel do narrador, que adquirem cores novas.

Desterritorialização, condições de exclusão, medo e solidão, problemas de identidade relacionados ao corpo e à vivência da sexualidade, situações-limites dadas pela violência urbana cruzam-se nas análises, que vão fundo nos textos dos escritores escolhidos.
Experiências como a de Budapeste, de Chico Buarque, ou dos contos de João Gilberto Noll, que refletem sobre o papel do autor nas sociedades contemporâneas.
Ou ainda a necessidade de criar "fluxos constantes" para romper o isolamento do sujeito, como tenta Amílcar Bettega; a ânsia do encontro consigo mesmo, no amor de uma mulher por outra, em Cíntia Moscovitch; a condição do negro, historicamente construída e vivenciada como memória de um "eu rasurado", em Conceição Evaristo ou em Ana Maria Gonçalves e seu "defeito de cor"; a inconcebível banalidade da violência em Patrícia Melo e Rubens Figueiredo; e o papel de livros e leituras na "biblioteca de Hatoum".

E é importante acrescentar que, embora a seleção recaia mais sobre autores do Rio, percebe-se o cuidado de percorrer todo o país, incluindo outras regiões.
Como se os ensaístas se percebessem gestados, sobretudo nas tensões dos grandes centros urbanos, mesmo expressando às vezes diferenças regionais nos espaços e tempos, esses autores tivessem a uni-los as mesmas angústias e medos, não só existenciais, mas também relativos aos limites da literatura enquanto possibilidade de traduzir uma realidade desde há muito quase inenarrável.

O que se pode transferir para os próprios ensaios: viceja em todos eles, em texto e subtexto, a consciência inquieta da impossibilidade de a crítica literária conseguir penetrar no âmago da literatura.

E talvez seja essa mesma consciência que faz de cada ensaio uma peça exploratória de agradável leitura, sem juízos finais, mas com a humildade de quem aceita e respeita a dificuldade do enigma, para não ser devorado sem sequer ter podido enfrentá-lo.


Na verdade, o grande enigma está na multiplicidade de aspectos nos quais uma linguagem ágil e fácil, de cunho jornalístico, traduz detalhes da realidade urbana de todos os dias ou manifestações do individualismo de um sujeito qualquer.

Tanto a cultura quanto a literatura de hoje traduzem um país melhor ou pior – dependendo do ângulo pelo qual se olhe – mas certamente bastante diverso, a partir do qual se vieram gestando outras sensibilidades, com outros olhares sobre o mundo e outras formas de representá-lo. Para alguns, já é um mundo pós-moderno, com todas as incertezas e divergências que esse termo pode suscitar. E para o qual entretenimento e mercado passaram a ser palavras de ordem.

A pedra do reino


A Pedra do Reino foi uma microssérie brasileira exibida pela Rede Globo de 12 de junho a 16 de junho de 2007. A produção foi uma homenagem aos 80 anos do escritor nordestino Ariano Suassuna, autor do livro-base O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. Foi dirigida por Luiz Fernando Carvalho. Na época foi um fracasso de audiência. Sua exibição foi integral nos cinemas, para aqueles que não puderam assistir em casa.

ARIANO SUASSUNA


Poeta, dramaturgo e romancista, Ariano Vilar Suassuna nasceu na cidade da Paraíba (hoje João Pessoa), capital do Estado da Paraíba, a 16 de junho de 1927. Seu pai, João Suassuna, exercia, à época, mandato de “Presidente”, o que correspondia ao atual cargo de Governador. Terminado seu mandato, João Suassuna deixa o litoral e volta ao sertão, sua terra de origem, fixando-se na fazenda “Acauhan”, no município de Sousa. Em 9 de outubro de 1930, quando Ariano contava apenas três anos de idade, João Suassuna, então Deputado Federal, é assassinado no Rio de Janeiro, vítima das divisões e lutas políticas ligadas à Revolução de 30. É no Sertão da Paraíba que Ariano passa boa parte da infância, primeiro na “Acauhan”, depois no município de Taperoá. Em 1942, a família Suassuna fixa-se em Recife, capital de Pernambuco. É em Recife que Ariano inicia a sua vida literária, com a publicação do poema Noturno, a 07 de outubro de 1945, no Jornal do Commercio. Ao ingressar na Faculdade de Direito, em 1946, liga-se ao grupo de estudantes que retoma, sob nova inspiração teórica, o Teatro do Estudante de Pernambuco (TEP). Mais do que um movimento teatral, o TEP foi um movimento de revalorização da cultura brasileira, com atuação em várias áreas da criação artística. De 1946 a 1948, são publicados, em revistas e suplementos de jornais, seus primeiros poemas ligados ao Romanceiro Popular Nordestino, universo de poemas e canções que inclui desde a poesia improvisada dos cantadores até a Literatura de Cordel e de tradição oral decorada. É partindo principalmente dos folhetos do Romanceiro que Suassuna vai encontrar o caminho para criar toda a sua obra teatral. Em 1947, escreve a sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol. No ano seguinte, estréia em palco com Cantam as Harpas de Sião, depois rescrita sob o título de O Desertor de Princesa (1958). Ainda estudante de Direito, escreve Os Homens de Barro (1949) e o Auto de João da Cruz, esta no ano de sua formatura (1950). Em 1951, em Taperoá, para onde vai a fim de curar-se do pulmão, escreve e encena, com mamulengos, o entremez Torturas de um Coração ou Em Boca Fechada Não Entra Mosquito. Esta peça é extremamente importante no teatro de Suassuna. Em primeiro lugar, porque, a exemplo de outros entremezes, serviu como núcleo inicial de uma peça maior, A Pena e a Lei. Depois, porque Torturas é o primeiro trabalho de Suassuna ligado ao campo do Cômico. Até aí, Suassuna somente se dedicava à composição de tragédias – excetuando-se o Auto de João da Cruz, um drama sacramental. Após Torturas, o autor escreve mais uma tragédia, O Arco Desolado (1952), para então dedicar-se às comédias que o deixaram famoso: Auto da Compadecida (1955), O Casamento Suspeitoso (1957), O Santo e a Porca (1957), A Pena e a Lei (1959) e Farsa da Boa Preguiça (1960), para mencionar as peças publicadas em livro e sem considerar outros entremezes, todas comédias importantíssimas para o teatro brasileiro contemporâneo. A partir da encenação, no Rio de Janeiro, do Auto da Compadecida, em janeiro de 1957, durante o Primeiro Festival de Amadores Nacionais, Suassuna é alçado à condição de um dos nossos maiores dramaturgos. Premiada com a “Medalha de Ouro” da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, no mesmo ano a peça é publicada em livro. Encenado em diversos países, o Auto encontra-se editado em vários idiomas, dentre os quais o alemão, o francês, o inglês, o espanhol e o italiano, e recebeu, até hoje, três versões para o cinema. A partir de 1956, com A História do Amor de Fernando e Isaura, versão nordestina de Tristão e Isolda, Ariano passa a dedicar-se, também, ao romance. No mesmo ano, inicia carreira docente na Universidade Federal de Pernambuco, onde irá lecionar várias disciplinas ligadas à Arte e à Cultura, até se aposentar, em 1989. Em 1959, funda, com Hermilo Borba Filho, o Teatro Popular do Nordeste (TPN). Em 1960, forma-se em Filosofia pela Universidade Católica de Pernambuco. De 1958 a 1970, trabalha em um longo romance, editado em 71 – o Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, saudado pela crítica como um dos mais importantes romances da Língua Portuguesa. Suassuna chama-o “romance armorial-popular brasileiro”, na intenção de vinculá-lo ao Movimento Armorial, por ele idealizado e lançado oficialmente no Recife, a 18 de outubro de 1970. Segundo o próprio Suassuna, “a Arte Armorial Brasileira tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos ‘folhetos’ do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus ‘cantares’, e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados”. Em 1976, torna-se Livre Docente da UFPE, defendendo a Tese A Onça Castanha e a Ilha Brasil – Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira, ainda inédita. De 1975 a 1977, publica, em folhetins semanais, no Diário de Pernambuco, duas partes da História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão, segundo volume da trilogia iniciada com A Pedra do Reino. Em 1987, retorna ao teatro com As Conchambranças de Quaderna, trazendo pela primeira vez ao palco o mesmo personagem do seu romance, Dom Pedro Dinis Ferreira-Quaderna, o Decifrador. Em 1990, toma posse na Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em 1989. Ingressa, depois, nas Academias de Letras de Pernambuco (1993) e da Paraíba (2000). Atualmente, dedica-se à escritura de um novo romance, com o qual pretende não só rever toda a sua obra, mas concluir a trilogia iniciada com A Pedra do Reino e interrompida com O Rei Degolado.
Carlos Newton Júnior

Jornalismo Literário em debate no CCBB




O projeto Jornalismo Literário, que é mediado pelo jornalista cultural Álvaro Costa e Silva, é um ciclo de sete palestras com intenção de debater o que de melhor o jornalismo brasileiro produziu e produz: os livros-reportagem, as biografias de grandes mitos de nossa cultura, as experiências inovadoras da mídia que deram certo e fizeram história.

A estreia do projeto foi no mês de maio e os encontros mensais, sempre na primeira quarta-feira do mês, serão realizados até o mês de novembro.

No mês de junho o tema será As Biografias de Mitos Nacionais e os convidados são os jornalistas Ruy Castro e Sérgio Cabral.


PROGRAMAÇÃO 2009

- 6 maio
Os Grandes Livros-Reportagem, com Gilberto Dimenstein e José Louzeiro.

- 3 junho
As Biografias de Mitos Nacionais 1, com Ruy Castro e Sérgio Cabral

- 1º julho
Os Bastidores do Poder, com Ricardo Kotscho e José Arbex.

- 5 agosto
Jornalismo e Denúncia Social, com Caco Barcelos e Paulo Lins.

- 2 setembro
As Biografias de Mitos Nacionais 2, com Fernando Morais e Paulo César Araújo.

- 7 outubro
Fato e Ficção: Os Relatos da Memória, com Heloísa Seixas e Nelson Motta.

- 4 novembro
A Mídia em Questão, com Luis Nassif e Sebastião Nery.




(Fonte:ccbb)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Chico Buarque






"...Os momentos bons
e as horas más
Que a memória coa..."


Em 34 anos de carreira, Chico Buarque compôs centenas de canções, aqui apresentadas por título, data, compostas em parcerias, versões e adaptações, compostas para teatro, cinema e aquelas que só aparecem em discos de outros intérpretes. Suas músicas foram gravadas em cerca de 40 álbuns, organizados por data, projetos, discos solo, gravações ao vivo, coletâneas e discos de outros intérpretes dedicados a ele. A obra completa do artista é uma das maiores riquezas que a cultura.



Em 1965, a pedido de Roberto Freire, diretor do TUCA, Teatro da Universidade Católica de São Paulo, Chico musicou o poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, para a montagem da peça. Desde então, sua presença no teatro brasileiro tem sido constante. Aqui, você pode conhecer as quatro peças que escreveu além das diversas canções que compôs para teatro.

Em 1966 fez seu primeiro trabalho para cinema compondo as canções para o filme Anjo assassino de Dionisio Azevedo.
Em 1980 chegou às telas o documentário Certas palavras, de Mauricio Beiru, sobre sua vida.



Escreveu os roteiros de Os saltimbancos trapalhões, de J. B. Tanko (1981) e Ópera do malandro, de Ruy Guerra (1986).

Como ator, participou de Garota de Ipanema, de Leon Hirzman (1967); Quando o carnaval chegar/, de Cacá Diegues (1972) - para o qual compôs diversas canções além de organizar as peladas nos intervalos da filmagem; Vai trabalhar vagabundo II – A volta, de Hugo Carvana (1991); Ed Mort, de Alain Fresnot (1996); O mandarim, de Júlio Bressane (1995); Água e sal, de Teresa Villaverde (2001).

Compôs dezenas de canções para filmes e participou de diversos documentários:

O povo brasileiro, de Isa Grinspum Ferraz (2000);

Raízes do Brasil, uma cinebiografia de Sérgio Buarque de Holanda, de Nelson Pereira dos Santos (2003);

Vinicius de Moraes, de Miguel Faria Jr. (2005);

Fados, de Carlos Saura (2005);

Maria Bethânia: Música é perfume, de Georges Gachot (2005

O Sol - Caminhando contra o vento, de Tetê Moraes, Martha Alencar (2006);

Oscar Niemeyer - A vida é um Sopro, de Fabiano Maciel (2007);

Palavra encantada, de Helena Solberg (2009)

LÍNGUAS QUE O DIABO RESPEITA



Budapeste, elogiado romance de Chico Buarque, emigra para a telona em adaptação de Walter Carvalho

“Nem estou querendo fidelidade, PIS adaptação para cinema já é uma infidelidade, mas eu quero que seja assim mesmo” Chico Buarque


Deveria ser proibido debochar de quem se aventura a amar em língua estrangeira. José Costa, protagonista de Budapeste, é um “escritor fantasma” que se lança a este desafio cheio de percalços. Mergulhando numa cultura estranha, como um alienígena que pousa no planeta incógnito de outro idioma, enfrenta as agruras de um mundo literário corrompido e as feridas e glórias de um vínculo amoroso difícil, em que o sentimento precisa dar um jeito de saltar pelo abismo de uma linguagem comum que falta, a princípio, mas que vai se inventando conforme se caminha.

Budapeste, livro bastante elogiado, é talvez um dos ápices do percurso literário de Chico Buarque. Lançado em 2003, pela Companhia das Letras, o romance arrancou simpáticos comentários de muitas sumidades da intelectualidade. José Saramago louvou-o: “Chico ousou muito, escreveu cruzando um abismo sobre um arame e chegou ao outro lado. Não creio enganar-me dizendo que algo novo aconteceu no Brasil com este livro.” Veríssimo, após elogiar a “prosa depurada” e a “construção engenhosa”, também derreteu-se em loas, dizendo que chegamos ao fim do livro “lamentando que não haja mais” e “assombrados pelo sortilégio deste mestre de juntar palavras”. Já José Miguel Wisnik sugeriu, com muita propriedade, que “no exato momento em que termina, transforma-se em poesia”.

Como adaptá-lo para a telona sem trair o espírito de um livro tão instigante, complexo e bem realizado? O diretor Walter Carvalho, que já tinha assinado a direção do documentário Janela da Alma (com João Jardim) e a cine-biografia musical Cazuza – O Tempo Não Para (com Sandra Werneck), realiza sim uma tentativa bem-cuidada, que prima pela técnica e que transporta com razoável fidelidade o mundo imaginado por Chico, ainda que com certos deslizes e equívocos (que logo mais comentamos).
Budapeste é uma obra que nos deixa obcecados e preocupados com a mesma dúvida, e um tanto desconsolados com a resposta que nós dá o atual estado de coisas. Alfineta as piaretagens do mundo literário e a própria profissão de escritor. No romance, esta faceta crítica é mais intensa e peçonhenta que no filme, no qual aparece um tanto atenuada e escondida detrás da “história de amor” que domina o primeiro plano.

Budapeste, apesar de seu nome, não deixa de ser também uma obra sobre o Rio de Janeiro. Chico narra, com muito conhecimento de causa, várias cenas-marco do panorama carioca. Oferenda de lírios à Iemanjá debaixo dos foguetórios. Marchinhas de carnaval que emergem das ruas e disputam com o som dos televisores. Gringos deslumbrados que se enamoram de mulatas e seus indecorosos bronzeados. Jovens suburbanos, de cabeça raspada e profusas tatuagens, que talvez sejam “desses skinheads que gostam de encher as bichas de porrada”. Caminhadas infindáveis, de Leblon a Copacabana, que faz um literato avoado que os vendedores ambulantes provocam: “e aí, meu, tá à toa na vida?”

A prosa de Chico, ecoando sua poesia musical, possui muitos elementos brincalhões e lúdicos, com uma veia cômica muito afiada, o que não transparece quase nada na adaptação cinematográfica. Um pouco na linha de Lobato, Guimarães Rosa ou Adélia Prado, Chico adora usar termos, tanto do linguajar chulo e popular quanto do português mais parnasiano e livresco, que soam divertidos, inauditos e coceguentos. Pesquei de Budapeste, só a título de exemplo, alguns exemplares: arraia-miúda, embevecido, ressabiado, brutamontes, mentecaptos, caquético, lépido, encasquetado, atarantado….

O filme morre de medo da feiúra, enquanto que Chico em seu livro é frequentemente “punk” e obsceno – falando, por exemplo, em “comedor de merda”, “chupador de pica”, “beijar no cangote”, “se esbaldar no sex shop” e “falar peito, boceta e cu em dialeto”. Um bom bocado dessa linguagem ofensiva e forte é limado de um filme que se pretende refinado e sublime, mas que por isso trai bastante o espírito lúdico e brincalhão da apimentada escrita buarquista.

Através de uma fotografia majestosa e bela, o filme torna a cidade húngara algo elevado e altamente estético – e o deleite que nos causam nos olhos certas tomadas não surpreendem. Mas a Budapeste que Chico imaginou me parece bem menos acolhedora e maternal do que aquela que vemos na tela: seu Costa fica sem-teto e com cartões de crédito confiscados, zanzando por espeluncas e becos mau-iluminados, como um dejeto latino-americano indesejado. É uma figura um tanto trágica, que tem suspeita de pneumonia, só arranja trampo de subalterno e quase se suicida no Danúbio. Esses extremos maus bocados por que passa aparecem bem atenuados no filme de Carvalho, fazendo o personagem perder um pouco de seu caminhar trôpego e quase trágico. Tanto que fica a impressão de que o filme exagera na glicose e na água-com-açúquice em momentos em que o livro é trash feito um romance de Henry Miller.

No livro, Kriska também nos aparece muito mais como uma porra-louca indelicada, hedonista e maluquete, que vive tomando altos porres de vermute e convidando à sua cama vários homens. Nada a ver com a anjinha fofurete que vemos na telona. Ela, no filme, também não aparece com a densidade que possui no livro, quando é por horas radiografada pelo narrador com ironia fina, à la Milan Kundera: “A fim de me segurar comendo em sua mão, como talvez deseje, sempre me negará a última migalha”, escreve Chico.

O livro também passa longe de ser uma história de amor adocicada e terna, em que Kriska seria um porto seguro para um estrangeiro desnorteado, como fica a parecer na adaptação sentimentalizada que fez Carvalho. O que Chico descreve não é, de modo nenhum, uma relação amorosa alegre, sadia e radiosa que conduz a um happy end de conto-de-fada. Há no romance uma série de momentos em que o tom é de hostilidade, angústia e desnorteio muito mais que de harmonioso encontro. Cito Chico para referendar o dito: “Acho que Kriska só me fez entrar em casa porque não queria problemas com a polícia, caso eu viesse a falecer no seu portão”; “súbito me acometeu um espasmo, uma sensação de estrangulamento, uns arquejos violentos, eu soluçava como grunhe um porco…”; “esperei que me cuspisse na boca e me arranhasse a cara, depois me enfiasse aquelas unhas nos olhos e os arrancasse das órbitas, eu tudo suportaria…”.

Só por estes trechos já nota-se que a relação entre Kriska e Costa, que o cinema tenta transformar (sem muito sucesso) num bonitoso caso-de-amor açúcarado, é de fato uma tensa gangorra, em que lábios emudecem “palavras caídas em desuso de tão atrozes” (pg. 151) e o homem é capaz dos gestos mais brutais – como quando espatifa o prato de espaguete contra a parede quando não recebe os mimos que mudamente pede. O que em Chico é quase um Trópico de Câncer trashão e trágico e debochado, torna-se no cinema um Encontros e Desencontros adocicado com um pano-de-fundo cult e literário.

Budapeste, afinal, é uma obra sobre a podridão de um mundo literário espetacularizado, que Chico Buarque, sendo ídolo nacional e mito vivo, deve ter experimentado na pele quando procurou migrar da poesia cantada para a escrita romanceada. É uma obra que descreve de arrebatados ímpetos de ciúme e vanglória muito mau-canalizados, e que Chico só não transforma em tragédias shakespearianas dignas de figurarem em Otelo pois têm muita paixão pelo deboche e pelo hilário para que recaia no melodramático. E é também, sobretudo, uma obra sobre amores trôpegos que tentam, muitas vezes em vão, vencer o abismo de desconhecimento causado pela solidão e por tudo que se perde na tradução.

Bienal do Livro em SP recebe 700 mil visitas



Assim como a Bienal de Artes, a 17ª Bienal do Livro de São Paulo terminou, no dia 5 de maio, com público recorde, uma média de 35% a mais que a edição anterior. Calcula-se que 700 mil pessoas, entre idosos, crianças e profissionais, tenham visitado a feira. Em 11 dias, a Bienal do Livro teve 698 eventos e a participação de 121 escritores (incluindo 12 estrangeiros) nos 66 debates oficiais do Salão de Idéias e do Salão da Travessa Literária. Cerca de 750 mil livros foram vendidos.

Entre os autores participantes estiveram Lygia Fagundes Telles, Zélia Gattai, Ziraldo, Maurício de Souza, Ignácio de Loyola Brandão, o afegão Atiq Rahimi, o francês Jean Baudrillard, a chinesa Mian Mian e o paquistanês Tariq Ali. Entre os destaques, os livros infantis da série Harry Potter (Editora Rocco) e o cartunista Maurício de Souza, com suas reproduções de quadros famosos com personagens da Turma da Mônica.

Paulo Coelho assume cadeira na ABL

No dia 25 de julho, o escritor Paulo Coelho foi eleito para ocupar a cadeira de número 21 na Academia Brasileira de Letras, que pertencia ao economista Roberto Campos, morto em outubro de 2001. Com 22 votos, o escritor derrotou o sociólogo Hélio Jaguaribe, que recebeu 15, e passou a ser o mais jovem integrante da Academia.
A eleição do autor de Diário de um Mago gerou polêmica, já que muitos imortais eram contra sua entrada na academia por ele ser um escritor popular. Acusado por muitos de ser um profissional mediano, Coelho é respeitado no exterior pela vendagem expressiva de seus livros, que foram traduzidos para 56 línguas e são comercializados em 150 países. Uma mulher chegou a tirar a roupa em protesto pela vitória de Paulo Coelho.

(Fonte: terra.com.br)

Concurso Nacional de Literatura

Estarão abertas, até 30 de Junho, as inscrições para o Concurso Nacional de Literatura - 2009, promovido pela Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias com a temática Euclides da Cunha, alusivo ao centenário de falecimento do autor de Os sertões. Para a inscrição, grátis, basta remeter o trabalho literário, de qualquer gênero, digitado, sob pseudônimo, com nome e endereço à parte, mas anexo para o certame, à Caixa Postal 1133 – Cep. 20001.970 Rio de Janeiro RJ onde poderá, igualmente, ser solicitado o regulamento oficial.

Dom Casmurro e Capitu



"Conhecia as regras do escrever, sem suspeitar as do amar"
Capítulo XIV, Dom Casmurro


Outra obra eu podemos considerar como contemporânea é “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. A história que aborda como tema central de seu livro – a traição - continua tão atual como na época em que foi escrito. Tanto quanto os antigos, os novos leitores se questionam se Capitu traiu ou não Bentinho.

Com a idéia de trazer algo novo para jovens, Luiz Fernando Carvalho, fez uma minissérie mostrando a outra face da história: a de Capitu. O seu desafio além de mostrar a minissérie para jovens foi fazer com que eles gostassem de um autor que, durante a escola, foi empurrado “goela abaixo“, como ele mesmo diz.

Bom, ele parece ter conseguido esse feito, pois muitos jovens ficaram encantados com a história mostrada. Além do tema, para dar vida a obra de machado de Assis e chamar a atenção do seu público alvo, Luiz Fernando Carvalho, investiu em uma trilha sonora que ia do Rock, do Black Sabbath ao folk, de Beirut, que canta Elephant Gun, a música tema da minissérie.



Na minissérie a impressão que se tinha era de que o próprio Machado de Assis estava ali, contando a história de Bentinho e Capitu. O figurino, os elementos cenográficos, a trilha sonora, os atores, tudo contribuiu para criar um ambiente que a maioria dos leitores devem ter sonhado quando entre as páginas de Dom Casmurro.
Literatura e adaptações vem dando certo e fazendo grande sucesso, tanto para a TV e o cinema quanto para as vendagens dos livros. As diferenças de linguagem entre literatura e cinema, talvez, contribuam para isso, pois, se nas telas vemos mais a parte audiovisual, os personagens, a história, a expressividade, a literatura, a todo momento, nos remete ao fluxo de consciência dos personagens.

Ganhadores do Prêmio Jabuti em 2008

[editar] 2008
Vencedores:

1 - Tradução

1º - Hipólito e Fedra - Três Tragédias - Joaquim Brasil Fontes - Editora Iluminuras
2º - Beowulf - Erick Ramalho - Tessitura Editora Assessoria e Consulturia Ltda
3º - Agamêmnon - Trajano Vieira - Editora Perspectiva S.A.


2 - Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Comunicação e Artes

1º - Noticiário Geral da Photographia Paulistana: 1839-1900 - Paulo Cezar Alves Goulart e Ricardo Mendes - Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
2º - Rua do Lavradio - Eliane Canedo de Freitas Pinheiro e Augusto Ivan de Freitas Pinheiro - Andrea Jakobsson Estúdio Editorial Ltda
3º - Caixa Tunga - Tunga - Cosac Naify Edições


3 - Teoria / Crítica Literária

1º - Proust: A Violência Sutil do Riso - Leda Tenório da Motta - Editora Perspectiva S.A.
2º - A Formação do Romance Inglês: Ensaios Teóricos - [Sandra Guardiani Vasconcelos]] - Aderaldo & Rothschild Editores Ltda
3º - Riso e Melancolia - Sergio Paulo Rouanet - Companhia das Letras


4 - Projeto Gráfico

1º - As Moedas Contam a História do Brasil - Marcelo Aflalo - Magma Cultural e Editora Ltda
2º - Roteiro Prático de Cartografia: da América Portuguesa ao Brasil Império - New Design - Angela Dourado e Bernardo Lessa - Editora UFMG
3º - A Fera na Selva - Luciana Facchini - Cosac Naify Edições


5 - Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil

1º - Toda Criança Gosta... - Mariana Massarani - Manati Produções Editoriais Ltda
2º - João Felizardo - O Rei dos Negócios - Angela Lago - Cosac Naify Edições
3º - Poeminha em Língua de Brincar - Martha Barros - Editora Record Ltda


6 - Ciências Exatas, Tecnologia e Informática

1º - Introdução à Engenharia de Produção - Mario Otavio Batalha - Elsevier Editora Ltda
2º - Enciclopédia de Automática - Controle & Automação - Luis Antonio Aguirre - Editora Edgard Blücher Ltda
3º - Introdução ao Teste de Software - Marcio Eduardo Delamaro, Jose Carlos Maldonado e Mario Jino - Elsevier Editora Ltda


7 - Educação, Psicologia e Psicanálise

1º - História das Idéias Pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani - Editora Autores Associados Ltda
2º - Religião, Psicopatologia e Saúde Mental - Paulto Dalgalarrondo - Artmed Editora S.A.
3º - Giramundo e Outros Brinquedos e Brincadeiras dos Meninos do Brasil - Renata Meirelles - Editora Terceiro Nome Ltda


8 - Reportagem

1º - 1808 - Laurentino Gomes - Editora Planeta do Brasil
2º - O Massacre - Eric Nepomuceno - Editora Planeta do Brasil
3º - Bar Bodega: Um Crime de Imprensa - Carlos Dorneles - Editora Globo S.A.


9 - Didático e Paradidático de Ensino Fundamental ou Médio

1º - O Alienista (Graphic Novel) - Fábio Moon e Gabriel Sá - Agir Editora Ltda
2º - Coleção História em Projetos - 4 Volumes - Conceição Oliveira, Carla Miucci e Andrea Paula dos Santos - Editora Atica
3º - Série (En)Cantos do Brasil (Caminho das Pedras; No Coração da Amanzônia; Faces do Sertão) - Shirley Souza, Manuel Filho e Luís Fernando Pereira - Escala Educacional


10 - Economia, Administração e Negócios

1º - Crescimento Econômico e Distribuição de Renda. Prioridades para a Ação - Jacques Marcovitch (Org.) - EDUSP - Editora da Universidade de São Paulo | Co-edição: Editora SENAC São Paulo
2º - Os Desafios da Sustentabilidade - Fernando Almeida - Elsevier Editora Ltda
3º - E-Desenvolvimento no Brasil e no Mundo: Subsídios e Programa E-Brasil - Peter Titcomb Knight, Ciro Campos Christo Fernandes e Maria Alexandra Cunha (Orgs.) - Yendis Editora e Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico


11 - Direito

1º - Curso de Direito Tributário e Finanças Públicas - Do Fato à Norma, Da Realidade ao Conceito Jurídico - Eurico Marcos Diniz de Santi - Saraiva S.A. Livreiros Editores
2º - Teoria Geral dos Direitos Fundamentais - Dimitri Dimoulis e Leonardo Martins - Editora Revista dos Tribunais Ltda
3º - Curso de Direito Constitucional - Gilmar Ferreira Mendes, Inocêncio Mártires Coelho e Paulo Gustavo Gonet Branco - Saraiva S.A. Livreiros Editores


12 - Biografia

1º - D. Pedro II - José Murilo de Carvalho - Companhia das Letras
2º - O Texto, ou: A Vida - Uma Trajetória Literária - José Murilo de Carvalho - Companhia das Letras
3º - Raul Cortez: Sem Medo de se Expor - Nydia Licia - Imprensa Oficial do Estado S.A.
Homenagem Póstuma


13 - Capa

1º - Ensaios Sobre o Medo - Moema Cavalcanti - Editora SENAC São Paulo - Co-edição: Edições SESC São Paulo
2º - Alexandre Herchcovitch (Coleção Moda Brasileira - Vol. 1) - Elaine Ramos - Cosac Naify Edições
3º - As Moedas Contam a História do Brasil - Marcelo Aflalo - Magma Cultural e Editora Ltda


14 - Poesia

1º - O Outro Lado - Ivan Junqueira - Editora Record Ltda
2º - O Xadrez e as Palavras - Marcus Vinicius Quiroga - RTC Edições
3º - Tarde - Paulo Henriques Britto - Companhia das Letras


15 - Ciências Humanas

1º - Mulheres Negras do Brasil - Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil - SENAC Editoras (SENAC Nacional, Editora SENAC Rio e Editora SENAC São Paulo) e REDEH
2º - Os Japoneses - Célia Sakurai - Editora Contexto
3º - História de Minas Gerais - As Minas Setecentistas - Vol. I e Vol. II - Maria Efigênia Lage de Resende e Luiz Carlos Villalta - Autêntica Editora


16 - Ciências Naturais e Ciências da Saúde

1º - Estomatologia-Bases do Diagnóstico para o Clínico Geral 1E - Sergio Kignel - Livraria Santos Editora Comércio e Importação Ltda
2º - Dimensões Humanas da Biosfera-Atmosfera da Amazônia - Wanderley Messias da Costa, Bertha K. Becker e Diogenes Salas Alves (Orgs.) - Editora da Universidade de São Paulo
3º - Por que o Bocejo é Contagioso?: E Outras Curiosidades da Neurociência no Cotidiano - Suzana Herculano-Houzel - Jorge Zahar Editor


17 - Contos e Crônicas

1º - Histórias do Rio Negro - Vera do Val - Editora WMF Martins Fontes Ltda
2º - A Prenda de Seu Damaso e Outros Contos - Jorge Eduardo Pinto Hausen - Editora Alcance
3º - Fichas de Vitrola & Outros Contos - Jaime Prado Gouvêa - Editora Record Ltda


18 - Infantil

1º - Sei Por Ouvir Dizer - Bartolomeu Campos de Queirós - Edelbra
2º - O Menino que Vendia Palavras - Ignácio de Loyola Brandão - Objetiva
3º - Zubair e os Labirintos - Jose Roger Soares de Mello - Companhia das Letras


19 - Juvenil

1º - O Barbeiro e o Judeu da Prestação Contra o Sargento da Motocicleta - Joel Rufino dos Santos - Editora Moderna
2º - Tão Longe... Tão Perto - Silvana de Menezes - Editora Lê Ltda
3º - Alice no Espelho - Laura Bergallo - Edições SM (empate)
3º - Mestres da Paixão - Aprendendo Com Quem Ama o Que Faz - Domingos Pellegrini - Editora Moderna


20 - Romance

1º - O Filho Eterno - Cristovão Tezza - Editora Record
2º - O Sol Se Põe Em São Paulo - Bernardo Teixeira de Carvalho - Companhia das Letras
3º - Antonio - Beatriz Bracher - Editora 34

Caco Barcellos



Caco Barcellos é um dos maiores jornalistas investigativos da história do Brasil. Especialista com décadas de trabalho sobre violência policial, é o autor de Rota 66: A polícia que mata, livro que documenta o assassinato de 4.200 pessoas, todas jovens e pobres, pela Polícia Militar de São Paulo. Caco já venceu duas vezes o Jabuti, um deles pelo livro O abusado, e recebeu dezenas de prêmios por reportagens especiais.



Caco Barcelos nasceu em Porto Alegre, onde iniciou sua carreira jornalística na Folha da Manhã. Durante a ditadura militar, trabalhou em veículos de imprensa alternativa. Nos seus quase 30 anos de profissão, com passagens pelas revistas Repórter, Isto É e Veja, já cobriu guerras, catástrofes naturais, guerrilhas e se dedidcou a grandes reportagens investigativas, entre elas a que deu origem ao livro "Rota 66". Em 1985, foi trabalhar na Rede Globo, como repórter do Jornal Nacional, do Fantástico, do Globo Repórter e do quadro "Profissão Repórter".

Resenha do Livro "O abusado" de Caco Barcellos



O menino que cresceu do lado certo da vida errada

Caco Barcelos afirma que o seu último livro é uma tentativa de “copiar” os livros do escritor e repórter americano Gay Talese autor do livro “Os honrados Mafiosos, e do americano Ernest Hemingway autor de “Por que os sinos dobram?”. Depois dos livros-reportagem a “Revolução das Crianças”, sobre a Revolução sandinista e do sucesso de vendas do “Rota 66” publicado no ano de 1992, que traz nas suas 350 páginas denúncias sobre as ações da Policia Militar do Estado de São Paulo, Principalmente da Ronda Ostensiva Tobias Aguiar. O jornalista Gaúcho, Caco Barcelos nos contempla com mais um livro-reportagem que relata a história do Márcio Amaro de Oliveira, conhecido como Marcinho VP – O Dono do Morro Dona Marta.

O livro é o Abusado uma reportagem de extrema profundidade que conta em forma de romance, a história de uma criança que anos depois seria o imperador da favela Dona Marta, localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro. O protagonista dessa não-ficção é Juliano VP (Codinome de um dos maiores traficante do Rio) que representava a terceira geração do Comando Vermelho (CV). Foi essa geração que levou o CV ao controle do tráfico de drogas na cidade maravilhosa.

Em busca de um cenário que representasse o controle do CV nas favelas, o autor fizera duas tentativas frustradas, primeiro foi na comunidade do Acari onde as negociações com os chefes não foram bem sucedidas, a outra foi na Rocinha onde morou por quatro semanas, por fim o autor conheceu a favela vertical Santa Marta, a mais íngreme da cidade e com um dos maiores contingentes humanos por metro quadrado do país.

No livro, Caco aborda de uma forma explicita o dia-a-dia daquela comunidade, como: As festas, as brigas, as traições, os tiroteios, as amizades e as mortes que infelizmente são comuns. Mostra a realidade de centenas de crianças e adolescentes que vivem uma subvida.

Com um texto coerente e fiel ao dialeto da favela. O livro é rico em detalhes, destaca as histórias de vida de alguns dos seus principais personagens. Prende o leitor, transportando-o para as vielas e becos de Santa Marta. Diante de tantos fatos desumanos o jornalista Caco Barcelos coloca em nossas mãos, a decisão e a responsabilidade de buscarmos a luz no final do túnel. Dizendo não! aos famosos tribunais do tráfico e as injustiças sociais.

Eles eram muito cavalos


Luiz Ruffato
Eles eram muitos cavalos

150 páginas
Boitempo Editorial 2001

111 páginas
Quadrante Editores 2006




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Resenha
Quando pegamos num livro não estamos preparados, quase nunca, para sermos levados à força para o bulício e a confusão de uma cidade. Livros, habitualmente, são coisas paradas, às quais entregamos, confiantemente, o nosso descanso. Mas, no entanto, alguns livros surgem na nossa vida exactamente para nos demonstrar o contrário. Um desses livros é Eles eram muitos cavalos de Luiz Ruffato, recentemente lançado em Portugal pela Quadrante Editora.

Toda a acção deste livro se passa num só dia, o dia 9 de Maio de 2000, para ser mais exacto. A localização precisa da acção é-nos dada logo no início, embora logo adiante nos apercebamos de como essa indicação nos logra. São Paulo, dia 9 de Maio de 2000. Esta é uma grafia do tempo em que se escreviam cartas, um tempo em que dizer São Paulo, Lisboa ou Maputo, significava aos nossos cérebros uma secretária onde alguém se houvera sentado. Trazido para o contexto deste livro, uma informação que aparentemente nos deveria sossegar, vai-nos lançar numa espiral de acontecimentos da qual, a certa altura da experiência de leitor, parece-nos até impossível sair.

Em jacto, somos expostos a 69 pequenos textos, cada um deles expressando o que poderia ser um mínimo recorte de uma visão aérea da megalópole São Paulo. Em cada um desses textos podemos encontrar desde orações religiosas, cenas de amor e violência, ódio e paixão, seres que se completam e seres que nunca se compreendem. Imagine-se a experiência de um filme de uma vida a passar-nos diante dos olhos, em fast forward - assim será aquilo por que Luiz Ruffato nos tenta fazer passar, uma leitura onde nenhum copo de água ou garrafa de oxigénio nos poderá aliviar, porque este livro lê-se com a cabeça e não com os olhos, com os movimentos e não com as palavras.

Quando pegamos num livro, num livro como este, cuja aparência dócil da composição nos permite até pensar que o iremos dominar, não estamos nunca preparados para a experiência de leitura que ele nos permite. Trata-se, definitivamente, de um daqueles livros que deve ser lido de uma vez só, para ser sentido na sua total expressão de violência literária. É também essa uma forma de agir sobre o real - captá-lo de uma forma entrecortada para o poder demonstrar em toda a sua brutalidade. Eles eram muitos cavalos, mais que um livro, é uma experiência a não perder.

Luís Filipe Cristóvão

Prêmio Jabuti


O Jabuti – Apresentação
Em 1958, o Jabuti é o mais tradicional prêmio do livro no Brasil. O maior diferencial em relação a outros prêmios de literatura é a sua abrangência: o Jabuti não valoriza apenas os escritores, mas destaca a qualidade do trabalho de todas as áreas envolvidas na criação e produção de um livro. As 21 categorias do Jabuti 2009 contemplam não só estilos – Romance, Contos e Crônicas, Poesia, Reportagem, Biografia e Livro Infantil – mas também a Tradução, a Ilustração, a Capa e o Projeto Gráfico.

Anualmente, editoras dos mais diversos segmentos e escritores independentes de todo o Brasil inscrevem milhares de obras em busca da tão cobiçada estatueta e do reconhecimento que ela proporciona. Receber o Jabuti é um desejo acalentado por todos aqueles que têm o livro como seu ideal de vida. É uma distinção que dá ao seu ganhador muito mais do que uma recompensa financeira. Ganhar o Jabuti representa dar à obra vencedora o lastro da comunidade intelectual brasileira, significa ser admitido em uma seleção de notáveis da literatura nacional.

Seleção e premiação

Um corpo de jurados altamente especializado, composto por profissionais com ampla bagagem em suas respectivas áreas de atuação, faz a análise das obras. A contagem dos votos é feita em sessões abertas ao público e dividida em duas etapas. Na primeira sessão pública, são selecionadas as 10 melhores obras em cada umas das 21 categorias. A segunda sessão define os três primeiros lugares de cada categoria, sendo que o primeiro colocado recebe R$ 3 mil e uma estatueta, a qual também é concedida aos segundo e terceiro lugares. O primeiro lugar da categoria especial Tradução de Obra Literária Francês-Português recebe R$ 6 mil.

Na cerimônia de premiação e entrega das estatuetas, são revelados os Livros do Ano de Ficção e Não-Ficção, momento mais aguardado por todos aqueles que concorrem ao Prêmio, pelo mercado editorial e pela mídia especializada. Os livros são escolhidos pelo voto dos jurados e de profissionais do mercado editorial. Os dois vencedores recebem R$ 30 mil cada um, além da estatueta. A premiação total distribuída no Jabuti 2009 chegará a R$ 123 mil.

Quem pode participar
Editores
Escritores
Escritores independentes
Tradutores
Ilustradores
Produtores gráficos
Designers

Categorias
01. Tradução:
Textos exclusivamente literários (contos, crônicas, romance, poesia), traduzidos para a língua portuguesa falada e escrita no Brasil
02. Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Comunicação e Artes:
Pesquisas, ensaios ou tratados sobre temas em Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Comunicação, Cinema, Teatro, Artes Visuais, Artes Cênicas e Artes Plásticas
03. Teoria/Crítica Literária:
Obras de cunho conceitual que contenham substrato teórico fundamentado a respeito de língua e literatura. Incluem-se nessa categoria dicionários e gramáticas.
04. Projeto Gráfico:
Concepções de projetos gráficos de livros avulsos ou pertencentes a coleções, produzidos originalmente no Brasil e que ressaltem o conceito gráfico da obra por intermédio do design e pela adequação dos materiais utilizados.
05. Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil:
Ilustrações de obras destinadas a crianças, pré-adolescentes ou adolescentes.
06. Ciências Exatas, Tecnologia e Informática:
Ensaios, tratados e textos acadêmicos que fundamentam ou descrevem conceitos a respeito dos temas em questão. Incluem-se nesta categoria obras de divulgação.
07. Educação, Psicologia e Psicanálise:
Pesquisas, ensaios ou tratados sobre os temas em questão.
08. Reportagem:
Textos, documentários ou analíticos, vistos sob a perspectiva jornalística.
09. Didático e Paradidático:
Obras destinadas ao ensino de qualquer componente curricular e/ou área do conhecimento, publicadas em primeira edição, não sendo aceitas edições revistas ou atualizadas. São consideradas como:
a) didáticas: obras essencialmente pedagógicas;
b) paradidáticas: obras não-pedagógicas utilizada para esse fim.
10. Economia, Administração e Negócios:
Tratados e textos acadêmicos que fundamentem ou descrevam conceitos a respeito dos temas em questão.
11. Direito:
Tratados e textos acadêmicos que fundamentem ou descrevam conceitos a respeito do tema em questão.
12. Biografia:
Textos, documentários ou analíticos, vistos sob a perspectiva biográfica.
13. Capa:
Concepções e desenvolvimentos gráficos de capas ou sobrecapas de livros como elementos autônomos.
14. Poesia:
Textos sintéticos com alto grau de poeticidade, caracterizando-se, fundamentalmente, por ritmo, sonoridade e outros recursos intrínsecos à criação literária que os diferenciem de textos em prosa.
15. Ciências Humanas:
Pesquisas, ensaios ou tratados sobre a área em questão. Incluem-se nessa categoria temas relacionados a Sociologia, Antropologia, História, Filosofia, Política e Religião ou assuntos correlatos vistos sob a perspectiva das ciências humanas.
16. Ciências Naturais e Ciências da Saúde:
Pesquisas, ensaios, tratados ou textos de divulgação científica sobre as áreas em questão. Incluem-se, nessa categoria, temas relacionados a Medicina, Enfermagem, Saneamento, Saúde Pública, terapias diversas e similares.
17. Contos e Crônicas:
a) conto: narrativa curta, geralmente ficcional;
b) crônica: narrativa curta, baseada geralmente em assuntos do cotidiano ou de interesse geral, caracterizando-se pela transitoriedade dos temas abordados.
18. Infantil:
Textos ficcionais ilustrados, que podem ou não mesclar elementos do “real”, destinados ao público infantil.
19. Juvenil:
Textos ficcionais, que podem ou não mesclar elementos do “real”, destinados ao público adolescente.
20. Romance:
Narrativas ficcionais, geralmente longas, que podem ou não mesclar elementos do “real”.
21. Tradução de obra literária Francês-Português:
Textos exclusivamente literários (contos, crônicas, romances, poesias), traduzidos diretamente da língua francesa falada e escrita, na França, para a língua portuguesa falada e escrita no Brasil.

João Gilberto Noll


"Vejo a literatura como acontecimento, não apenas como espelho das questões sociais mais imediatas. Mas que ela traga o leitor para um horizonte ritualístico, um horizonte litúrgico. É como se ele sentasse, que fosse lá no palco e participasse junto com o ator, Ando muito preocupado com essa questão da liturgia, do ritual."
João gilberto Noll

João Gilberto Noll nasceu em Porto Alegre, em 1946. Publicou treze livros. Recebeu inúmeros prêmios, incluindo o Prêmio Jabuti em cinco ocasiões,em 1981, 1994, 1997, 2004 e 2005. Seu romance HARMADA está incluído na lista dos 100 livros essenciais brasileiros em qualquer gênero e em todas as épocas da Revista Bravo.

João Gilberto Noll é um escritor em cujo texto sentimos a pura intensidade do ato de escrever. Seu texto, longe de ser torrencial, foge incessantemente da apreensão do leitor, desenhando formas no imaginário que não passam de linhas soltas, imagens cambiantes e livres. Essa liberdade da sua escritura se perfaz na afirmação, única e exclusiva, de um desejo de narrar. Seu texto sofre de uma espécie de instabilidade programática que desencadeia fluxos narrativos em tempo real, poderíamos dizer. Não o tempo da narrativa, mas o tempo da leitura, o tempo do ato de ler, no qual o leitor é enredado numa estranha malha de sentidos instáveis e cambiantes. Sua instabilidade não decorre nada mais do que de um recurso empregado de longa data na literatura, mas do qual Noll se apropria com uma perícia e vigor provocantes: a narração em primeira pessoa. É nos ininterruptos câmbios subjetivos dos seu narradores que o desejo mostra sua face de liberdade afirmativa. A escritura de João Gilberto Noll engendra uma narração desejante, uma máquina de produção de sentidos múltiplos que explodem em parágrafos elípticos e sem pontos, encadeando forças significadoras suspensas temporariamente apenas por vírgulas, ou então se insinua em saltos espaço-temporais do narrado, saltos localizados nos signos impressos na página do livro, transformando o, até então, "fora do texto" em "dentro". Factualização do que estava, antes, apenas sugerido.

Sandro Ornellas

Rubem Fonseca





"Neste momento estou desenvolvendo o começo da história que iniciei com o título que lhe deu o sopro inicial de vida. No quiosque de livros da praça li um poema no qual o autor (roubei dele o título da minha história) diz que o mundo é doloroso, os seres humanos não merecem existir e ele, poeta, suspeita que a crueldade da sua imaginação está de certa forma conectada com seus impulsos criativos. Matar a velha, não a crueldade, como disse o poeta, mas a força do meu ato e não apenas da minha imaginação foi a impulsão que fará de mim um verdadeiro escritor. Tenho, agora, o começo, tenho o meio e o fim." (Pequenas criaturas - "Começo")
Rubem fonseca



Nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 11 de maio de 1925, José Rubem Fonseca é formado em Direito, tendo exercido várias atividades antes de dedicar-se inteiramente à literatura. Em 31 de dezembro de 1952 iniciou sua carreira na polícia, como comissário, no 16º Distrito Policial, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Muitos dos fatos vividos naquela época e dos seus companheiros de trabalho estão imortalizados em seus livros. Aluno brilhante da Escola de Polícia, não demonstrava, então, pendores literários. Ficou pouco tempo nas ruas. Foi, na maior parte do tempo em que trabalhou, até ser exonerado em 06 de fevereiro de 1958, um policial de gabinete. Cuidava do serviço de relações públicas da polícia. Em julho de 1954 recebeu uma licença para estudar e depois dar aulas sobre esse assunto na Fundação Getúlio Vargas, no Rio. Na Escola de Polícia destacou-se em Psicologia. Contemporâneos de Rubem Fonseca dizem que, naquela época, os policiais eram mais juízes de paz, apartadores de briga, do que autoridades. Zé Rubem via, debaixo das definições legais, as tragédias humanas e conseguia resolvê-las. Nesse aspecto, afirmam, ele era admirável. Escolhido, com mais nove policiais cariocas, para se aperfeiçoar nos Estados Unidos, entre setembro de 1953 e março de 1954, aproveitou a oportunidade para estudar administração de empresas na New York University. Após sair da polícia, Rubem Fonseca trabalhou na Light até se dedicar integralmente à literatura. É viúvo e tem três filhos.



Foi, ao longo de sua carreira, agraciado com inúmeros prêmios literários, abaixo descritos.

Sendo profundamente interessado na arte cinematográfica, escreve também roteiros para filmes, muitos deles premiados:

- Coruja de ouro, roteiro Relatório de um homem casado, filme dirigido por Flávio Tambelini.

- Kikito de ouro do Festival de Gramado, roteiro de Stelinha, dirigido por Miguel Faria.

- Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, roteiro de A grande arte, filme dirigido por Walter Salles Jr.

Seus livros são publicado no Brasil e no exterior, com grande sucesso de crítica e de público:


LIVROS PUBLICADOS NO BRASIL:O doente Molière (novela, 2000),Secreções, excreções e desatinos (contos, 2001),Pequenas criaturas (contos, 2002),Diário de um Fescenino (contos, 2003),64 Contos de Rubem Fonseca (contos, 2004),Ela e outras mulheres (contos, 2006),O romance morreu (crônicas, 2007)

Todos estes livros, com exceção de O homem de fevereiro ou março (editora Artenova), foram editados ou reeditados pela Companhia das Letras. Os romances O caso Morel e A grande arte foram publicados (em 1998) pela Record/Altaya, na coleção “Mestres da Literatura Brasileira e Portuguesa”, para venda em bancas. O romance Agosto está na coleção “Mestres da Literatura Contemporânea” (1995) editora Record/Altaya, também para venda em bancas. Romance negro, Feliz ano novo e outras histórias, foi publicado pela Editora Ediouro, Rio de Janeiro, 1996. Na antologia Onze em campo e um banco de primeira, da Editora Relume Dumará, Rio, 1998, foi inserido o conto Abril, no Rio, em 1970, originalmente editado no livro Feliz ano novo. Na antologia Trabalhadores do Brasil, da editora Geração Editorial, Rio, 1998, foi incluído o conto O agente, originalmente editado no livro Os prisioneiros. Na antologia Os cem melhores contos brasileiros do século, editora Objetiva, Rio, 2000, foram publicados os contos A força humana, Passeio noturno I, Passeio noturno II, Feliz ano novo e A confraria dos espadas. A antologia Contos para um Natal brasileiro, da Editora Relume Dumará, Rio, 2001, em companhia de C. D. Andrade, João Ubaldo Ribeiro, Lygia F. Telles e outros, traz conto sobre a data.

Budapeste



Resenha

No livro do cantor e compositor Chico Buarque, você conhecerá a história de um, ou seja, um escritor anônimo que escreve para que outras pessoas assinem a autoria do texto. O personagem principal de Budapeste é o ghost-writer José Costa. Em uma viagem para participar de um congresso de ghost- writers em Istambul, José Costa faz uma escala forçada na Hungria. Após o evento, resolve voltar à capital húngara para aprender o idioma, e torna-se amante de sua professora. Uma curiosidade: a partir do livro Estorvo Chico Buarque separou sua obra literária da musical. Quando ele escreve não compõe, e quando está compondo não escreve.

João Ubaldo


João Ubaldo Ribeiro

João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, Bahia, em 23 de janeiro de 1941, na casa de seu avô materno, à Rua do Canal, número um, filho primogênito de Maria Felipa Osório Pimentel e Manoel Ribeiro. O casal teria mais dois filhos: Sonia Maria e Manoel. Ao completar dois meses de idade, João muda-se com a família para Aracajú, SE, onde passaria a infância.
Em 1947 inicia seus estudos com um professor particular. Seu pai, professor e político, segundo o biografado, não suportava ter um filho analfabeto em casa. Já alfabetizado, em 1948 ingressa no Instituto Ipiranga. A partir daí permaneceria horas trancado na biblioteca de sua casa devorando livros infantis, sobretudo os de Monteiro Lobato. Forçado por seu austero pai, iria se dedicar com afinco aos estudos, procurando ser sempre o primeiro da classe. Sobre essa fase de sua vida leia mais em "Memória de Livros", deliciosa crônica que consta de "Releituras".
No ano de 1951 ingressa no Colégio Estadual de Sergipe. Sempre dedicado aos estudos, prestava ao pai, diariamente, contas sobre os livros lidos, sendo, algumas vezes, solicitado a resumi-los e a traduzir alguns de seus trechos. João era também solicitado a verter para o português canções francesas que o pai ouvia. Não tinha folga nem nas férias, pois nelas praticava o latim e copiava os sermões do padre Vieira, apesar de afirmar que fazia aquilo com prazer. Manoel Ribeiro, seu pai, era chefe da Polícia Militar e, nessa época, passa a sofrer pressões políticas, o que o faz transferir-se com a família para Salvador. Na capital baiana João Ubaldo é matriculado no Colégio Sofia Costa Pinto. Conta ele que era perseguido pela professora de inglês, em virtude de seu sotaque. "Ela não percebeu que eu falava inglês britânico, já que estudara em Sergipe com um professor educado na Escócia", diz o escritor. Desafiado, dedica empenho extraordinário ao idioma, chegando a decorar 50 palavras por dia. Vizinho de engenheiros americanos, faz amizade com seus filhos para aprimorar ainda mais seus conhecimentos da língua inglesa.
Em 1955 matricula-se no curso clássico do Colégio da Bahia, conhecido como "Colégio Central".
1956 marca o início da amizade com Glauber Rocha, seu colega na escola.
Estréia no jornalismo, começando a trabalhar como repórter no Jornal da Bahia, em 1957, sendo que posteriormente se transferiria para A Tribuna da Bahia, onde chegaria a exercer o posto de editor-chefe.
Em 1958 inicia seu curso de Direito na Universidade Federal da Bahia. Com Glauber Rocha edita revistas e jornais culturais e participa do movimento estudantil. Apesar de nunca ter exercido a profissão de advogado, foi aluno exemplar. Lê (ou relê), então, os grandes clássicos: Rabelais, Shakespeare, Joyce, Faulkner, Swift, Lewis Carroll, Cervantes, Homero, e, entre os brasileiros, Graciliano Ramos e Jorge de Lima. Nessa mesma Universidade, concluído o curso de Direito, faz pós-graduação em Administração Pública.
Participa da antologia Panorama do Conto Bahiano, organizada por Nelson de Araújo e Vasconcelos Maia, em 1959, com "Lugar e Circunstância", e publicada pela Imprensa Oficial da Bahia. Passa a trabalhar na Prefeitura de Salvador como office-boy do Gabinete e, em seguida, como redator no Departamento de Turismo.
Seu primeiro casamento dá-se em 1960 com Maria Beatriz Moreira Caldas, sua colega na Faculdade de Direito. Separaram-se após 9 anos de vida conjugal.
Com "Josefina", "Decalião" e "O Campeão" participa da coletânea de contos Reunião, editada pela Universidade Federal da Bahia no ano de 1961, em companhia de David Salles (organizador do livro), Noêmio Spinola e Sonia Coutinho.
Em 1963 escreve seu primeiro romance, "Setembro não faz sentido", título que substituiu o original (A Semana da Pátria), por sugestão da editora.
Em plena efervescência política do ano de 1964, João Ubaldo parte para os Estados Unidos, através de uma bolsa de estudos conseguida junto à Embaixada norte-americana, para fazer seu mestrado em Administração Pública e Ciência Política na Universidade da Califórnia do Sul. Conta que, na sua ausência, teve até sua fotografia divulgada pela televisão baiana, encimada por um enorme "Procura-se". Segundo João, o movimento revolucionário não sabia que ele, tido e havido como esquerdista, estava nos Estados Unidos às expensas daquele país.
Volta ao Brasil em 1965 e começa a lecionar Ciências Políticas na Universidade Federal da Bahia. Ali permaneceu por 6 anos, mas desistiu da carreira acadêmica e retornou ao jornalismo.
Com o prefácio de Glauber Rocha, que se empenhou junto à José Álvaro Editores pela sua publicação, João Ubaldo tem seu primeiro romance "Setembro não faz sentido" impresso, com o apadrinhamento de Jorge Amado.
Em 1969 casa-se com a historiadora Mônica Maria Roters, que lhe daria duas filhas: Emília (nascida em fevereiro de 1970) e Manuela (cujo nascimento ocorreria em junho de 1972). O casamento acabaria em 1978.
Em 1971 lança, pela Editora Civilização Brasileira, o romance "Sargento Getúlio", merecedor do Prêmio Jabuti concedido pela Câmara Brasileira do Livro, em 1972, na categoria "Revelação de Autor". O livro é inspirado principalmente num episódio ocorrido na infância de João Ubaldo, envolvendo um certo sargento Cavalcanti, que recebera 17 tiros num atentado em Paulo Afonso, na Bahia; resgatado pelo pai do autor, então chefe da polícia de Sergipe, chegaria com vida em Aracaju. Segundo a crítica, esse livro filiou seu autor a uma vertente literária que sintetiza o melhor de Graciliano Ramos e o melhor de Guimarães Rosa.
Publica, em 1974, o livro de contos "Vencecavalo e o outro povo" (cujo título inicial era "A guerra dos Pananaguás"), pela Artenova.
Com tradução feita pelo próprio autor, o romance "Sargento Getúlio" é lançado nos Estados Unidos em 1978, com boa receptividade pela crítica daquele país.
Em 1979 passa nove meses como professor convidado do International Writting Program da Universidade de Iowa e publica no Brasil, pela Nova Fronteira, que a partir de então seria sua principal editora, um "conto militar", na sua definição, intitulado "Vila Real".
1980 marca seu terceiro casamento, com a fisioterapeuta Berenice Batella, que lhe daria dois filhos: Bento e Francisca (nascidos em junho de 1981 e setembro de 1983, respectivamente). Participa, em Cuba, do júri do concurso Casa das Américas, juntamente com o critico literário Antônio Cândido e o ator e diretor de teatro Gianfrancesco Guarnieri. O primeiro prêmio foi concedido à brasileira Ana Maria Machado.
Muda-se, com a família, para Lisboa, Portugal, em 1981, graças a uma bolsa concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian. Edita, no período em que ali viveu, com o jornalista Tarso de Castro, a revista Careta. De volta ao Brasil, passa a residir no Rio de Janeiro, cidade que tanto ama, e lança "Política", livro até hoje adotado por inúmeras faculdades. Lança, também, "Livro de Histórias" (depois republicado com o título de "Já podeis da pátria filhos"), coletânea de contos. Inicia colaboração com o jornal "O Globo", que perdura até hoje, com pequenas interrupções, publicando uma crônica por semana. Sua produção dessa época seria reunida em 1988 no livro "Sempre aos domingos".
Em 1982 inicia o romance "Viva o povo brasileiro", que se passa na Ilha de Itaparica e percorre quatro séculos da história do país. Originalmente o livro se chamava "Alto lá, meu general". Segundo João, o livro nasceu de um desafio de seus editores e da lembrança de uma afirmativa de seu pai, que dizia: "Livro que não fica em pé sozinho, não presta." Como seus livros sempre tiveram poucas páginas, diante da provocação, fez um com mais de 700. Nesse ano participou do Festival Internacional de Escritores, em Toronto, Canadá.
No ano seguinte estréia na literatura infanto-juvenil com "Vida e paixão de Pandonar, o cruel". Seu livro "Sargento Getúlio" chega aos cinemas, num filme dirigido por Hermano Penna e protagonizado por Lima Duarte. O longa-metragem receberia os seguintes prêmios no Festival de Gramado: Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Som Direto, Melhor Filme, Grande Prêmio da Crítica e Grande Prêmio da Imprensa e do Júri Oficial. Volta a residir em Itaparica, na casa onde nascera.
"Viva o povo Brasileiro" é finalmente editado em 1984, e recebe o Prêmio Jabuti na categoria "Romance" e o Golfinho de Ouro, do governo do Rio de Janeiro. Inicia a tradução desse livro para o inglês, tarefa que lhe consumiria dois anos de trabalho e a partir do qual passaria a utilizar o computador para escrever. Ao lado de Jorge Luis Borges e Gabriel Garcia Marques, participa de uma série de nove filmes produzidos pela TV estatal canadense sobre a literatura na América Latina.
João Ubaldo é consagrado na Avenida Marquês de Sapucaí: seu livro "Viva o povo brasileiro" é escolhido como samba-enredo da escola Império da Tijuca para o carnaval do ano de 1987.
Em 1989 lança o romance "O sorriso do lagarto".
Em 1990 publica "A vingança de Charles Tiburone", sua segunda experiência em literatura infanto-juvenil. A convite da Deutsch Akademischer Austauschdienst, muda-se com a família para Berlim, onde viveria por 15 meses. Publica crônicas semanais no jornal Frankfurter Rundschau, além de produzir peças radiofônicas de grande alcance popular, entre elas, uma adaptação de seu conto "O santo que não acreditava em Deus".
Retorna ao Brasil em 1991, e volta a residir no Rio de Janeiro. Seu romance "O sorriso do lagarto" é adaptado para o formato de minissérie por Walter Negrão e Geraldo Carneiro e estréia na Rede Globo, tendo como protagonistas Tony Ramos, Maitê Proença e José Lewgoy. Volta a escrever no jornal O Globo e inicia colaboração no O Estado de São Paulo, passando a publicar em ambos uma crônica aos domingos.
Em 1993 adapta "O santo que não acreditava em Deus" para a série Caso Especial, da Rede Globo, que teve Lima Duarte no papel principal. No dia 7 de outubro é eleito para a cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras, na vaga aberta com a morte do jornalista Carlos Castello Branco. Disputavam com ele o piauiense Álvaro Pacheco e o mineiro Olavo Drummond. No terceiro escrutínio João Ubaldo obteve 21 votos contra 13 de Pacheco e um nulo.
Termina, em 1994, a adaptação cinematográfica, feita em parceria com Cacá Diegues e Antônio Calmon, do romance "Tieta do Agreste", de seu amigo e conterrâneo Jorge Amado. O filme teve a atriz Sonia Braga no papel principal e direção de Cacá Diegues. Toma posse na Academia Brasileira de Letras em 8 de junho. Cobre, nos Estados Unidos, a Copa do Mundo de Futebol como enviado dos jornais O Globo e O Estado de São Paulo. De volta ao Brasil é internado numa clínica em Botafogo, com arritmia cardíaca. Participa da Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, e lá recebe o Prêmio Anna Seghers, concedido somente a escritores alemães e latino-americanos.
Recebe o prêmio Die Blaue Brillenschlange -- concedido ao melhor livro infanto-juvenil sobre minorias não-européias -- pela edição alemã de "Vida e paixão de Pandonar, o cruel". Lança o livro de crônicas "Um brasileiro em Berlim", sobre sua estada naquela cidade.
Volta a participar da Feira do Livro de Frankfurt, em 1996. Detém a cátedra de Poetik Dozentur na Universidade de Tubigem, Alemanha.
Em 1997 é internado novamente no Rio, desta vez com fortes dores de cabeça provocadas por uma queda. Cacá Diegues compra os direitos de filmagem do livro "Já podeis da pátria filhos". Renova contrato com a Nova Fronteira, depois de receber propostas de outras editoras. Publica o romance "O feitiço da Ilha do Pavão".
Participa em Paris do Salão do Livro da França, em 1998. Vende os direitos de "Viva o povo brasileiro" para o cinema; o filme deve ser dirigido pelo cineasta André Luis Oliveira. Lança o livro "Arte e ciência de roubar galinha", seleção de crônicas publicadas nos jornais O Globo e O Estado de São Paulo.
Durante a IX Bienal do Livro - Rio de Janeiro, em Abril de 1999, lança o livro "A Casa dos Budas Ditosos", da série Plenos Pecados, um romance sobre a luxúria publicado pela Editora Objetiva Ltda., que obtém enorme sucesso de vendas.
Ainda em 1999, foi um dos escritores escolhidos em todo mundo para dar um depoimento ao jornal francês "Libération", sobre o milênio que se aproximava. Escreveu, juntamente com Carlos (Cacá) Diegues, o roteiro de um filme baseado em seu conto "O santo que não acreditava em Deus", cujo título para o cinema foi "Deus é brasileiro". Seu romance "O feitiço da Ilha do Pavão" foi publicado em Portugal e em tradução alemã, pela editora C.H. Beck. "A Casa dos Budas Ditosos" torna-se um grande sucesso editorial, permanecendo, por mais de trinta e seis semanas, entre os dez livros mais vendidos. O romance foi publicado na Espanha, França e outros países. Seu lançamento em Portugal se transformou em problema nacional face à proibição, por duas redes de supermercados, de sua venda naqueles estabelecimentos. A primeira edição, de 5.000 exemplares, foi vendida em poucos dias e novas edições também. João Ubaldo, em janeiro/2000, esteve lá para ser homenageado pelos escritores portugueses com um desagravo a tal procedimento. Nessa oportunidade participou da Semana de Estudos Lusófonos, na Universidade de Coimbra. Foi, também, citado em diversas antologias, nacionais e estrangeiras, inclusive numa sobre futebol, publicada pelo jornal "Le Monde", na França. Saíram várias reedições de seus livros na Alemanha, incluindo uma nova edição de bolso de "Sargento Getúlio". "O sorriso do lagarto" foi publicado na França. "A casa dos Budas ditosos" foi traduzido para o inglês, nos Estados Unidos. Seu livro "Viva o povo brasileiro" foi indicado para o exame de Agrégation, um concurso nacional realizado na França para os detentores de diploma de graduação.
Em 2008, o autor foi agraciado com o Prêmio Camões, considerado o maior galardão da língua portuguesa.

As Mulheres de Tijucopapo



Descrição: Aclamado romance que marcou a estréia da autora na literatura. Narra a viagem de retorno de Rísia à terra onde sua mãe nasceu, a lendária Tijucopapo. No trajeto, ela relembra sua infância.
Editora: Record
Autor: MARILENE FELINTO

Vencendo o passado, Zibia Gasparetto



Resenha

Quantas vezes você se atormenta recordando acontecimentos desagradáveis do dia-a-dia que gostaria de se esquecer, mas que reaparecem como fantasmas interiores?

Neste livro, os protagonistas enfrentam esse desafio com sucesso. Mas você terá ainda de enfrentar os seus.

Literatura e Cinema: por que a violência faz tanto sucesso? Parte II



O filme de maior sucesso, provavelmente, desses citadosna matéria, que já ganhou prêmios internacionais e elogias da crítica, tem efeito de filme holywoodiano. É o que mais explora violência e mostra cenas, onde a crueldade nas favelas, que deixa o público, tanto leitor, quanto os espectadores da sala de cinema, chocados. No livro, um bebê é cortado em várias partes. Essa cena não entrou no filme, talvez por ser muito forte, mas não se fica menos chocado quando vemos o personagem de Dadinho, quando pequeno, matando um casal num motel e rindo depois.

Já em "Meu nome não é Johnny", o público tem uma visão um pouco mais calma do tráfico e da violência. Ele mostra que dá para se arrepender de um crime cometido e que, talvez, há um caminho de volta e um novo recomeço.

Se os livros já chamavam a atenção, depois dos filmes de tamanho sucesso, a curiosidade de saber da história completa aumenta. Os livros ficam muito mais vendáveis e somem das prateleiras. Isso vem mostrando que as adaptações dos livros fazem muito sucesso em ambos os caminhos, do papel e da tela. Tanto que podemos ver que, quando o filme faz sucesso, a capa fica sendo os personagens do filme.

Mentes Perigosas



Resenha

Quando pensamos em psicopatia, logo nos vem à mente um sujeito com cara de mau, truculento, de aparência descuidada, pinta de assassino e desvios comportamentais tão óbvios que poderíamos reconhecê-lo sem pestanejar. Isso é um grande equívoco! Para os desavisados, reconhecê-los não é uma tarefa tão fácil quanto se imagina. Os psicopatas enganam e representam muitíssimo bem.

Mentes Perigosas discorre sobre pessoas frias, manipuladoras, transgressoras de regras sociais, sem consciência e desprovidas de sentimento de compaixão ou culpa. Esses "predadores sociais" com aparência humana estão por aí, misturados conosco, incógnitos, infiltrados em todos os setores sociais. São homens, mulheres, de qualquer raça, credo ou nível social. Trabalham, estudam, fazem carreiras, se casam, têm filhos, mas definitivamente não são como a maioria da população: aquelas a quem chamaríamos de "pessoas do bem".

Eles podem arruinar empresas e famílias, provocar intrigas, destruir sonhos, mas não matam. E, exatamente por isso, permanecem por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertos ou diagnosticados. Por serem charmosos, eloqüentes, "inteligentes" e sedutores costumam não levantar a menor suspeita de quem realmente são. Visam apenas o benefício próprio, almejam o poder e o status, engordam ilicitamente suas contas bancárias, são mentirosos contumazes, parasitas, chefes tiranos, pedófilos, líderes natos da maldade.

Em casos extremos, os psicopatas matam a sangue-frio, com requintes de crueldade, sem medo e sem arrependimento. Porém, o que a sociedade desconhece é que os psicopatas, em sua grande maioria, não são assassinos e vivem como se fossem pessoas comuns.



Trecho de Mentes Perigosas

Ser consciente é ser capaz de amar

Como visto na aula do professor Osvaldo, o termo consciência é ambíguo, sugerindo dois significados totalmente distintos. E por isso mesmo, é compreensível que a esta altura o leitor esteja confuso. Na realidade, a consciência é um atributo que transita entre a razão e a sensibilidade. Popularmente falando, entre a "cabeça" e o "coração".

Falar sobre consciência pode ser uma tarefa "fácil" e "difícil" ao mesmo tempo. O "fácil" são as explicações científicas sobre o desenvolvimento da consciência no cérebro, que envolvem engrenagens como atenção, memória, circuitos neuronais e estruturas cerebrais, que só serviriam para confundir um pouco mais. Nada disso vem ao caso agora, pelo menos não é esse o meu propósito. Portanto, esqueça! Aqui, vou considerar o lado "difícil", subjetivo e relativo ao sentido ético da existência humana: o SER consciente.

Mostrar apreço às condutas louváveis, ser bondoso ou educado, ter um comportamento exemplar e cauteloso, preocupar-se com o que os outros pensam a nosso respeito nem de longe pode ser definido como consciência de fato. Afinal, a consciência não é um comportamento em si, nem mesmo é algo que possamos fazer ou pensar. A consciência é algo que sentimos. Ela existe, antes de tudo, no campo da afeição ou dos afetos. Mais do que uma função comportamental ou intelectual a consciência pode ser definida como uma emoção.

Peço licença e vou um pouco além. No meu entender, a consciência é um senso de responsabilidade e generosidade baseado em vínculos emocionais, de extrema nobreza, com outras criaturas (animais, seres humanos) ou até mesmo com a humanidade e o universo como um todo. É uma espécie de entidade invisível, que possui vida própria e que independe da nossa razão. É a voz secreta da alma, que habita em nosso interior e que nos orienta para o caminho do bem.

A consciência nos impulsiona a tomar decisões totalmente irracionais e até mesmo com implicações de risco à vida. Ela permeia as nossas atitudes cotidianas (como perder uma reunião de negócios porque seu filho está ardendo em febre) e até as nossas ações de extrema bravura e de auto-sacrifício (como suportar a dor de uma tortura física e psicológica em função de um ideal). E, assim, a consciência nos abraça e conduz pela vida afora, porque está em plena comunhão com o mais poderoso combustível afetivo: o amor.

De forma bem prosaica, imagine a seguinte situação:

Você está no aconchego do seu apartamento, depois de um dia exaustivo de trabalho e reuniões. Momentos depois, o interfone toca anunciando a visita inesperada de uma grande amiga. Ela está grávida de sete meses e chegou abarrotada de sacolas com as últimas compras do enxoval. Apesar do cansaço, você fica verdadeiramente feliz com sua presença.

Por alguns momentos, vocês conversam alegremente sobre o bebê, os planos para o futuro e colocam as "fofocas" em dia. Lá pelas tantas da noite, sua amiga diz que precisa ir embora.

Em frações de segundos, você pensa: "Preciso tomar um banho e dormir, será que ela vai entender se eu não acompanhá-la até a portaria do prédio?", "Mas ela está grávida e tem tanta coisa pra carregar!", "É melhor eu ir junto, não foi isso que me ensinaram."

Bom, essa tagarelice mental, que azucrina tal qual um crime cometido, sem dúvidas não é imoral. É absolutamente humana, natural e foge ao nosso controle. Mas também não é a sua consciên cia soprando no seu ouvido.

Ao contrário do "vou ou não vou", você é imediatamente tomado por um impulso generoso e se flagra no elevador com sua amiga, suas bolsas e sacolas. Chama um táxi, abre a porta do carro, diz ao motorista para ir com cuidado e se despedem felizes.

Hum! A consciência é assim mesmo: chega sem avisar e não complica, apenas faz!

Uma história mais comovente:

São Paulo, domingo, novembro de 2007. Cerca de três minutos após ter decolado do aeroporto Campo de Marte, um Learjet 35 caiu de bico sobre uma residência, onde moravam 14 pessoas de uma mesma família. No acidente morreram o piloto, o co-piloto e seis pessoas que estavam na casa. Os vizinhos Airton, de 47 anos, e seu pai, o sr. Ângelo, de 75, correram para o sobrado da família Fernandes assim que ouviram o barulho da queda do avião. Pai e filho conseguiram salvar Cláudia Fernandes, de 16 anos. Eles ouviram o choro da garota, que é autista e brincava com sua amiga Laís na hora do acidente. Airton, emocionado, descalço e com a blusa suja de sangue e cinzas, lamentava ter conseguido salvar apenas uma única vida. O sr. Ângelo queimou a mão ao salvar Cláudia e, após ser atendido por médicos no local, permaneceu na rua tentando furar o bloqueio policial para voltar aos escombros.

Sem qualquer sombra de dúvidas, podemos afirmar que Airton e Ângelo possuem consciência. E naquela tarde de domingo, eles não pensaram, simplesmente agiram: isso é pura consciência em exercício.

Todas as pessoas portadoras de consciência se emocionam ao testemunhar ou tomar conhecimento de um ato altruísta, seja ele simples ou grandioso. Qualquer história sobre cons ciência é relativa à conectividade que existe entre todas as coisas do universo. Por isso, mesmo de forma inconsciente (sem nos darmos conta), alegramo-nos frente à natureza gentil dos atos de amor.